quarta-feira, 19 de junho de 2013

PERDA NA MÚSICA

Sábado, 18 de agosto de 2012
SIMPLESMENTE, CARLÓ!

A nossa cultura ocidental não tem o hábito de refletir sobre a pulsação de vida que percorre nossas veias e as implicações resultantes da negação dessa vida. Vivemos, de certa forma, empurrados por nossas obrigações mais vãs e nossas necessidades cotidianamente, tidas como sãs.

De tempos em tempos, lembramos da fragilidade que representamos nesse pobre palco chamado, educadamente, vida.

É preciso o afago de uma bigorna, que nos permita relembrar a fragmentada parte do espírito que fazemos parte.

Sem alarde, sem porta bandeiras e estandartes, somos um sopro frágil e efêmero que percorre despretensiosamente as ruas úmidas da estória.

Um grande homem, um grande ser, no mais extenso entendimento que entendemos por ser, nos entrega algo que apenas concebemos por ausência.

A dor é nossa. A tristeza é nossa. Se em algum momento acreditarmos nas coisas que julgamos pensar, devemos então, sentirmo-nos felizes por esse desconhecido lugar que esse amado presente está a se encontrar.

Carlomagno, em sua íntima essência, se assim pode-se delimitar, não desejaria que nenhum de nós ficássemos tristes com sua inexorável passagem.

Sua brisa suave, de música, de compassos harmonicamente descompassados, realiza, ainda que invisível, mesmo aos mais incrédulos olhos, acordes de paz, acordes que sorriem além de todos os demais.

A certeza, ainda que contingente, soa a samba. As brasas cearenses dos clubes praieiros de outrora. De cinquenta... de sessenta....

Mas também perdura e perpetua em cada um dos espíritos que comungaram de sua iluminada companhia e sabedoria.

São palavras, que terão acepção maior do que apenas palavras, e estarão impressas em todos aqueles que o conheceram e o amaram.
“Junte meu corpo, com o resto de bamba, com o sabor do samba, que reside em cada um de nós”.


MÁRCIO NOAL

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